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mercoledì 12 agosto 2020

EoF Aldeia Agricultura e Justiça - resumo terceiro encontro (8 agosto 2020)

Resumo webinar 3

 

Colonialismo: a ocupação e a exploração territorial realizadas pela força pelas potências europeias contra povos considerados atrasados ou selvagens (Encyclopedia Treccani).

 

Para entender de onde veio a terceira etapa do ataque (neocolonialismo digital), podemos começar a partir de 1992, na época da Cúpula da Terra no Rio de Janeiro. Ainda estávamos no que eu chamo de era dos sonhos, convencidos de que, após a Guerra Fria, a construção de um mundo diferente, mais pacífico e tolerante havia começado. A vitória que estava sendo preparada para os democratas liderados por Bill Clinton foi um sinal de mudança de rumo, enquanto para nós, europeus, a assinatura do Tratado de Maastricht nos tornou "europeus" para todos os efeitos (ou assim acreditamos) e, mais ao sul, um acordo de paz colocou um fim à longa guerra civil em Moçambique.

 

Esquecemos, ou não queríamos ver, que tudo isso era apenas aparência. No entanto, a invasão do Iraque data apenas do ano anterior, assim como a dissolução da Iugoslávia (1990) e o início das diversas guerras locais (Eslovênia, 1991; Croácia, 1991-1995; Bósnia-Herzegovina 1992-1995), a guerra entre Armênia e Azerbaijão (1992) e a guerra civil que continuou na Argélia. E assim, enquanto na Itália os massacres de Capaci e Via d'Amelio eliminaram os juízes Falcone e Borsellino, orgulhosos antagonistas do poder mafioso; o ano terminou com uma nova operação militar americana na Somália.

 

Tudo isso para dizer que, como acontece com freqüência, vimos o que queríamos ver (ou, talvez, o que a mídia dominante havia imposto como narrativa oficial).

 

A Cúpula da Terra viu a assinatura da Convenção sobre Biodiversidade (estes ainda eram anos quando estávamos falando de biodiversidade e não de serviços ecossistêmicos, como expliquei no webinar anterior), com 3 objetivos declarados:

 

- A conservação da diversidade biológica

- O uso sustentável de seus componentes e

- O compartilhamento justo e equitativo dos benefícios da utilização desses recursos genéticos, inclusive através de acesso justo aos recursos genéticos e transferência de tecnologia apropriada.

 

A CDB dará um importante impulso a um processo que, nascido dentro da FAO graças à mente e esforço do "Pepe" Esquinas, se tornaria o Tratado Internacional sobre Recursos Fitogenéticos para Alimentação e Agricultura em 2001. 

 

Levaria anos para que os governos a ratificassem, mas enquanto isso, princípios inovadores passaram pela porta da frente, afirmando em particular que a contribuição passada, presente e futura dos agricultores em todas as regiões do mundo, particularmente nos centros de origem e diversidade, para a conservação, melhoria e provisão desses recursos é a base dos direitos dos agricultores.

 

Será também graças a esta trilha de "direitos" que em 2004, após longas e difíceis negociações, foram aprovadas as Diretrizes para o Direito à Alimentação. Foi uma proposta originada dentro das organizações da sociedade civil e levada à FAO, onde foi negociada num espírito de colaboração que foi saudada por todos como um método muito inovador. 

Dois anos depois, graças ao impulso de apenas dois países, Filipinas e Brasil, e com o total apoio do Diretor Geral da FAO, uma nova Conferência Internacional sobre Reforma Agrária em Porto Alegre foi aprovada e implementada em março de 2006, depois de 27 anos da anterior. 

Este período positivo continuou quando parecia possível causar um impacto real nas agendas internacionais relacionadas aos recursos naturais.

 

Por último, mas não menos importante, foi o Protocolo de Nagoya 2010, que teve que especificar o mecanismo de Acesso e Compartilhamento de Benefícios, que entrou em vigor em 2014: o verdadeiro ponto-chave de todos os esforços anteriores, pois iria discutir como compartilhar, concretamente, os benefícios realizados sobre os recursos naturais dos quais as comunidades camponesas, indígenas, pastoris e pesqueiras foram os primeiros mantenedores e melhoradores, sobre os quais os governos reivindicaram seu direito exclusivo de negociar em tratados internacionais e, por outro lado, o setor privado que queria ter acesso a esses recursos, utilizá-los e patenteá-los para seus próprios benefícios.

 

Em resumo, tudo parecia estar indo numa direção mais democrática, mas decidi chamar a década que começou em 2010 de era de desilusão, e não apenas por causa da crise financeira que começou em 2007 nos Estados Unidos.

 

O sinal mais evidente foi a conferência Rio+20, para "celebrar" os 20 anos da Cúpula da Terra. Se a primeira foi uma cúpula de chefes de Estado e de governo, com algumas representações da sociedade civil e do setor privado, a cúpula de 2012 foi exatamente o oposto: mais de 2700 representantes do setor privado invadiram o Rio para liderar, de dentro e de fora, a cúpula que mostrou, em todas as suas evidências, "a captura corporativa da ONU pelo setor privado".

Nas declarações finais, Bancos, Políticos e Multinacionais se expressaram na mesma linguagem sobre o meio ambiente. Como expliquei no webinar anterior, desde 2005 foi lançada a nova "religião" dos serviços ecossistêmicos, ou seja, a comercialização do meio ambiente. O próximo passo foi certificá-lo nos níveis mais altos: foi para isso que o Rio+20 serviu! O mecanismo foi o do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD), cujas bases foram lançadas desde a Cúpula da Terra, e que agora inclui 200 das principais multinacionais do mundo. Considerado um dos fóruns mais influentes do mundo (que não deve ser surpresa para ninguém), é considerado uma das principais fontes de resistência do setor privado a qualquer política destinada a lidar com a mudança climática.

 

A questão central que a Rio+20 tinha que abordar era o mecanismo de Acesso e Compartilhamento de Benefícios, para que tivesse regras claras a serem aplicadas em todo o mundo.

As etapas estão resumidas neste slide:

 

 1. O Consentimento Prévio Informado é solicitado e obtido, resultando em um

2. Licença que é emitida e, imediatamente após,

3. Publicado no ABS Clearing House

4. O Centro de Compensação gera um certificado de conformidade reconhecido internacionalmente (IRCC), que inclui um identificador único para rastreamento.

5. Agora, os recursos genéticos podem ser utilizados

6….

7. Finalmente, o ponto de controle comunica informações às autoridades nacionais.

 

O princípio é, portanto, claro e simples em teoria: para ter acesso aos recursos genéticos, é preciso pedir e obter uma autorização.  A questão é que os recursos genéticos, na prática, são traduzidos com seqüências genéticas, ou seja, informações que podem ser digitalizadas. Foi aqui que o lobby do setor privado se concentrou: considerar a Informação de Sequência Digital (DSI) como algo diferente do material genético, que se enquadra na CDB. De acordo com eles, a CDB se refere claramente e apenas a "material genético" e não a informações abstratas.  A expansão da CDB para incluir esta especificação exigiria a reabertura de negociações globais sobre toda a Convenção.

 

Os efeitos práticos, portanto, tornam-se aparentes: se eu pegar a seqüência de informação de um determinado material, e reutilizá-la para recombiná-la e fazer outros produtos derivados dela, eu não sou abrangido pela CDB e, portanto, não tenho que aplicar o ABS (ou seja, não comparto benefícios com ninguém) 

 

Pelo contrário, tanto as comunidades agrícolas quanto os países que são os repositórios deste material genético queriam que a DSI fosse incluída na CDB, mas isto ainda está em discussão. No entanto, as esperanças são limitadas.

 

Para ser mais específico, lembremos que o DSI pode ser alcançado de 3 maneiras diferentes:

1.         O primeiro é através do mecanismo indicado acima, que traduz o ABS em prática;

2.         A segunda é através da biopirataria (em andamento) (isto é, ir para áreas de alta biodiversidade, escaneando o material diretamente no local - depois sem retirá-lo, e depois carregando-o nos bancos de dados das empresas-mãe para recombiná-lo. Tudo isso sem pedir nada a ninguém e sem pagar nada.

3.         A terceira é a utilização dos bancos de genes.

O setor privado claramente não está interessado na primeira via (pedir permissão e ter que compartilhar os benefícios). A segunda é oficialmente proibida, embora seja um problema crescente ... por isso continua a ser a terceira via ...

 

A estratégia global, que estamos começando a entender, começa com o que tem sido chamado de Food Action Alliance (Aliança de Ação Alimentar). Basicamente a nova narrativa, depois de nos convencer que a gestão dos recursos naturais tinha que ser feita através do mercado (lembra-se do webinar anterior e da questão dos serviços ecossistêmicos? ), deu um segundo passo para esclarecer quão fundamental é o papel do setor privado (não as pequenas empresas, mas as grandes Corporações) (Rio+20 serviu a este propósito) e o terceiro foi promover a aliança global entre este setor privado e as Nações Unidas (cujas agendas políticas já haviam sido amplamente influenciadas por vários anos em favor destas Corporações - por último, mas não menos importante, as conhecidas Diretrizes Voluntárias para a Boa Governança da Terra em 2012).

 

Este novo passo em frente foi promovido pelo Fórum de Davos que assumiu o fardo (e a honra) de promover esta FAA, à qual algumas grandes ONGs (os BINGOs) têm sido associadas, todas com uma agenda de lobbying de 3 pontos:

 

- Promovendo uma Cúpula Mundial dos Sistemas Alimentares (WFS) (e para isso esperaram pelo momento de transição entre o ex-diretor geral da FAO, o brasileiro Graziano e o novo, chinês): neste interregno eles puderam manobrar para que a WFFS fosse realizada em Nova Iorque e não em Roma, na FAO, como teria sido lógico, reduzindo assim também a possível influência chinesa); o objetivo desta WFFS, originalmente prevista para o próximo ano, é registrar uma mudança maior no sistema multilateral das Nações Unidas, privilegiando o relacionamento com o setor privado (o do WBCSD de fato) em detrimento dos governos legítimos.

- O segundo eixo de trabalho diz respeito à reforma do sistema de Centros de Pesquisa Agrícola (CGIAR) de modo a assumir o controle do mesmo (com subsídios substanciais e específicos). A questão chave aqui é que o CGIAR controla os bancos de genes de que falei há pouco sobre o ISD... entende o truque?

- Por último, mas não menos importante, assumir o controle de Grandes Dados através da criação de um Conselho Digital Internacional (para gerenciar a enorme massa de dados digitais de DNA e ISD).

 

Em resumo:

A Cúpula fornece a estrutura,

CGIAR o mecanismo de entrega e o

BIG DATA o produto final.

 

Uma aplicação concreta diz respeito à famosa luta contra a malária, realizada pela Fundação Bill e Melina Gates, que gostaria a todo custo de encontrar uma solução farmacêutica para o problema. Pena que provavelmente exista um, natural, e que este seja o grão de areia que a Big Pharma (com suas ramificações até as Nações Unidas) quer eliminar para não bloquear seus projetos.

 

- Durante 2000 anos, uma planta, Artemisia annua, foi cultivada na China e provou ter efeitos extremamente positivos na luta contra a malária. Amplamente utilizada pelos vietcongs durante a Guerra do Vietnã, começou a ser cultivada na África, juntamente com sua variedade local, Artemisia afra, uma planta endêmica e indígena conhecida pelos povos indígenas. Tudo isso não agradou aos gigantes farmacêuticos que durante décadas decidiram que a luta contra a malária deveria ser feita através de produtos sintéticos de seus laboratórios. 

- Bill Gates com sua intenção de encontrar uma vacina dentro de uma geração. Produtos sintéticos foram pesquisados na Artemisia annua, isolando um componente, então patenteado. Uma série de tratamentos específicos, chamados ACT,  

- os testes feitos com a planta de artemísia, tanto a anual como a afra, para fazer infusões, estão dando resultados muito mais positivos, sem efeitos secundários e, acima de tudo, podem ser produzidos diretamente por todos os agricultores, pois eles só precisam manter algumas plantas perto de casa para fazer tratamentos preventivos de infusão. 

- Em nível internacional, a pressão sobre a OMS levou esta última a declarar que a Artemisia não é recomendada para a luta contra a malária, confirmando assim quem realmente é co-gestor desta agência. 

 

Considerações finais:

 

Vandana Shiva nos lembra que a empresa israelense Evogene patenteou um programa de computador para a leitura do genoma da planta, assinando um acordo com a Monsanto concedendo-lhe direitos exclusivos sobre toda uma série de genes identificados por eles. Um trabalho similar de mapeamento digital do patrimônio genético das sementes tradicionais está sendo feito por outro companhia, DivSeek, e certamente não são as únicas empresas neste promissor mercado. Um caminho paralelo, mas visando o mesmo objetivo, foi empreendido pela Syngenta para vender acesso a dados genéticos sequenciados de sementes tradicionais provenientes de bancos de genes internacionais (cujo controle é um dos objetivos da nova colonização). 

 

Passar pelo DNA digital significa saltar tudo sobre direitos e compartilhamento de benefícios, que assim permanecerão apenas nas mãos da indústria farmacêutica. É por isso que o controle digital de DNA se torna a chave do futuro, tanto para aqueles que querem combater a biopirataria quanto para aqueles que querem explorar ainda mais as potencialidades oferecidas pelas recombinações e modificações (drogas, mas também OGM).

 

Agora a Covid, e depois?

 

- Os surtos do vírus, cuja origem foi localizada em várias espécies de morcegos, são mais freqüentes em áreas da África central e ocidental que passaram recentemente por processos de desmatamento. A FAO, por sua vez, já havia reportado este link em 2006, com um artigo publicado na revista Unasylva 

- O risco de surtos de doenças não só é aumentado pela perda de habitats, mas também pela forma como eles são substituídos. Para atender a uma demanda crescente de carne, uma área equivalente à do continente africano tem sido desmatada para criar animais para abate. Alguns deles são então comercializados ilegalmente ou vendidos em mercados de animais vivos. Lá, espécies que provavelmente nunca se cruzariam na natureza são mantidas enjauladas lado a lado e micróbios podem facilmente se mover de um para o outro. Este tipo de desenvolvimento, que já produziu o Coronavírus Sars no início dos anos 2000, poderia estar na origem do atual Covid-19.

 

Recordando a Laudato Sì

 

       Dada a amplitude das mudanças, já́ não é possível encontrar uma resposta específica e independente para cada parte do problema. É fundamental buscar soluções integrais que considerem as interacções dos sistemas naturais entre si e com os sistemas sociais. Não há duas crises separadas: uma ambiental e outra social; mas uma única e complexa crise sócio-ambiental 

 

Como diz meu amigo Pepe Esquinas:

"para alguém que pensa ser muito pequeno para causar impacto, talvez nunca tenha dormido com um mosquito na sala"

 

lunedì 3 agosto 2020

2020 L37: Rita Fak - Choucroute maudite



Mirobole 2017

Bienvenue dans le village de Niederkaltenkirchen, Bavière, pour une comédie policière haute en couleur. Le commissaire Franz Eberhofer, viré de Munich pour raisons disciplinaires, se la coulait douce dans sa bourgade natale : les patrouilles finissaient invariablement devant une bière chez Wolfi, en promenade avec Louis II – son chien –, dans la boucherie de son copain Simmerl ou à table avec sa mémé sourde comme un pot. Ça, c’était jusqu’à ce que les membres de la famille Neuhofer claquent l’un après l’autre, avec la mère retrouvée pendue dans les bois, le père électricien électrocuté, et le fils aîné aplati façon crêpe sous le poids d’un conteneur. Ne reste plus que Hans, le fils cadet.

L’enquête s’annonce déprimante. Mieux vaut prendre des forces et avaler consciencieusement les robustes charcuteries locales.

Primo libro di questo strano poliziotto tedesco. Simpatico... da continuare...


mercoledì 29 luglio 2020

2020 L36: Yasmina Khadra - Khalil



Pocket, 2019

P
aris, ville des lumières, nous sommes le Vendredi 13 novembre 2015. L'air est encore doux pour un soir d'hiver. Tandis que les Bleus électrisent le Stade de France, aux terrasses des brasseries parisiennes on trinque aux retrouvailles et aux rencontres heureuses. Une ceinture d'explosifs autour de la taille, Khalil attend de passer à l'acte. Il fait partie du commando qui s'apprête à ensanglanter la capitale.
Qui est Khalil ? Comment en est-il arrivé là ?
Dans ce nouveau roman, Yasmina Khadra nous livre une approche inédite du terrorisme, d'un réalisme et d'une justesse époustouflants, une plongée vertigineuse dans l'esprit d'un kamikaze qu'il suit à la trace, jusque dans ses derniers retranchements, pour nous éveiller à notre époque suspendue entre la fragile lucidité de la conscience et l'insoutenable brutalité de la folie 

Una sola parola: Waw!!!! Nella Top senza dubbio.

lunedì 27 luglio 2020

2020 L35: Roberto Ampuero - Bahia de los misterios



Random House Mondadori, 2013

Un nuevo libro de Roberto Ampuero, protagonizado por el inigualable detective Cayetano Brulé.«La cabeza del profesor Joseph Pembroke, más conocido como Joe Pembroke en el Voltaire College de Chicago, rodó dejando una estela de sangre sobre la escalera de concreto del cerro Concepción, en el puerto de Valparaíso.»Así se inicia Bahía de los misterios, la última novela policial de Roberto Ampuero, protagonizada por el ya conocido detective cubano Cayetano Brulé. Esta vez, Cayetano se enfrenta con un caso espeluznante: Joe Pembroke ha sido asesinado de una manera insólita: lo han decapitado con una espada, y han dejado marcado a fuego en el pecho de la víctima una guadaña. ¿Qué podrá significar esto? ¿Quién asesinó a Pembroke? Hay pocas pistas, sin embargo el detective viajará por México, Estados Unidos, Escocia, para poder solucionar este caso que cada vez resulta más asombroso.

Come sempre è un gran piacere leggere le avventure di Cayetano Brulè. Penso sarà nella Top dell'anno!

venerdì 24 luglio 2020

EoF - Agriculture and Justice Village - Summary of webinar 3 - Towards a Digital Neo-Colonialism


 

Colonialism: the occupation and territorial exploitation carried out by force by the European powers against peoples considered backward or wild (Encyclopedia Treccani).

 

To understand where the third stage of the attack (digital neo-colonialism) came from, we can start from 1992, at the time of the Earth Summit in Rio de Janeiro. We were still in what I call the age of dreams, convinced as we were that, after the Cold War, the construction of a different, more peaceful and tolerant world had begun. The victory that was being prepared for the democrats led by Bill Clinton was a sign of a change of course, while for us Europeans, the signing of the Maastricht Treaty made us "Europeans" for all intents and purposes (or so we believed) and, further south, a peace agreement put an end to the long civil war in Mozambique.

 

We forgot, or did not want to see, that all this was only appearance. Yet the invasion of Iraq only dated from the previous year, as did the dissolution of Yugoslavia (1990) and the beginning of the various local wars (Slovenia, 1991; Croatia, 1991-1995; Bosnia-Herzegovina 1992-1995), the war between Armenia and Azerbaijan (1992) and the civil war that continued in Algeria. And so, while in Italy the massacres of Capaci and Via d'Amelio eliminated the judges Falcone and Borsellino, proud antagonists of the mafia power; the year ended with a new American military operation in Somalia.

 

All this to say that, as often happens, we saw what we wanted to see (or, perhaps, what the dominant media had imposed as the official narrative).

          

The Earth Summit saw the signing of the Convention on Biodiversity (these were still years when we were talking about biodiversity and not about ecosystem services as I explained in the previous webinar), with 3 declared objectives:

 

- The conservation of biological diversity

- The sustainable use of its components and

- The fair and equitable sharing of the benefits of using these genetic resources, including through fair access to genetic resources and appropriate technology transfer.

 

The CBD will give an important boost to a process that, born within FAO thanks to the mind and effort of "Pepe" Esquinas, would become the International Treaty on Plant Genetic Resources for Food and Agriculture in 2001. 

It would take years for governments to ratify it, but in the meantime, innovative principles came through the front door, stating in particular that the past, present and future contribution of farmers in all regions of the world, particularly those in centres of origin and diversity, to the conservation, improvement and provision of these resources was the basis of farmers' rights.

 

It will also be thanks to this trail of "rights" that in 2004, after long and difficult negotiations, the Guidelines for the Right to Food were approved. This proposal originated within civil society organizations and was brought to FAO where it was negotiated in a collaborative spirit that was hailed by all as a very innovative method. 

 

Two years later, thanks to the impetus of just two countries, the Philippines and Brazil, and with the full support of FAO's Director-General, the International Conference on Agrarian Reform in Porto Alegre was approved and realized in March 2006. This positive period continued when it seemed possible to make a real impact on international agendas related to natural resources.

 

Last but not least, it was the 2010 Nagoya Protocol, which had to specify the Access and Benefit Sharing mechanism, which came into force in 2014: the real key point of all previous efforts, because it was going to discuss how to share, concretely, the benefits realized on the natural resources of which the peasant, indigenous, pastoral and fishing communities were the first maintainers and improvers, over which governments claimed their exclusive right to negotiate in international treaties and, on the other hand, the private sector that wanted to access those resources, use them and patent them for their own benefits.

Slide

In short, everything seemed to be going in a more democratic direction, yet I decided to call the decade that began in 2010 the Age of Disillusion, and not only because of the financial crisis that began in 2007 in the United States.

 

The clearest signal was the Rio+20 conference, to "celebrate" 20 years of the Earth Summit. If the first had been a summit of Heads of state and government, with some representations of civil society and the private sector, the 2012 summit was exactly the opposite: more than 2700 representatives of the private sector invaded Rio to lead, from inside and outside, the Summit which showed, in all its evidence, "the corporate capture of the UN by the private sector".

In the concluding statements, Banks, Politicians and Multinationals expressed themselves in the same language about the environment. As I explained in the previous webinar, since 2005 the new "religion" of ecosystem services had been launched, that is, the marketing of the environment. The next step was to certify it at the highest levels: this is what the Rio+20 was for! The mechanism was that of the World Business Council for Sustainable Development (WBCSD), whose foundations were laid since the Earth Summit, and which now includes 200 of the world's leading multinationals. Considered one of the most influential forums in the world (which should come as no surprise to anyone), it is considered to be one of the main sources of private sector resistance to any policy aimed at dealing with Climate Change.

 

The central issue that Rio+20 had to address was the Access and Benefit Sharing mechanism, so that it would have clear rules to enforce worldwide. 

The scheme is summarized in this slide:

 1. Prior Inform Consent is requested and obtained, resulting in a

2. Permit that is issued and, immediately after,

3. Published in the ABS Clearing House

4. The Clearing House generates an internationally recognized certificate of compliance (IRCC), which includes a unique identifier for tracking. 

5. Now, genetic resources can be used

6….

7. Finally, the checkpoint communicates information to the national authorities.

 

The principle is therefore clear and simple in theory: to access genetic resources you need to ask for and obtain a permit.  The point is that genetic resources, in practice, are translated with genetic sequences, i.e. information that can be digitized. This is where the private sector lobby has focused: to consider Digital Sequence Information (DSI) as something different from genetic material, which falls under the CBD. According to them, the CBD refers clearly and only to "genetic material" and not to abstract information. Expanding the CBD to include this specification would require the reopening of global negotiations on the entire Convention.

The practical effects then become obvious: if I take the information sequence of a certain material, and reuse it to recombine it and make other derived products out of it, I do not get under the CBD and therefore do not have to apply ABS. 

On the contrary, both the farming communities and the countries that are the repositories of this genetic material wanted the ISD to be included in the CBD, but this is still under discussion. However, hopes are limited.

 

To be more specific, let us remember that the DSI can be achieved in 3 different ways:

1.         The first is through the mechanism indicated above, which translates ABS into practice;

2.         The second is through the (ongoing) biopiracy (i.e. going to areas of high biodiversity, scanning the material directly on site - then without taking it away, and then uploading it to parent companies' databases to recombine it. All this without asking anyone anything and without paying anything.

3.         The third is to use the gene banks.

The private sector is clearly not interested in the first way (asking permission and having to share the benefits). The second is officially outlawed, although it is a growing problem ... so it remains the third way ...

 

The global strategy, which we are beginning to understand, starts with what has been called the Food Action Alliance. Basically the new narrative, after convincing us that natural resources management had to be done through the market (remember the previous webinar? ), took a second step to clarify how fundamental is the role of the private sector (not the small companies, but the large Corporations) (Rio+20 served this purpose) and the third was to promote the global alliance between this private sector and the United Nations (whose political agendas had already been largely influenced for several years in favor of these Corporations - last but not least, the well-known Voluntary Guidelines for Good Governance of the Earth in 2012).

This new step forward has been promoted by the Davos Forum which has taken on the burden (and the honor) of promoting this FAA, to which some Big NGOs (the BINGOs) have been associated, all with a 3-point lobbying agenda:

- Promoting a World Food Systems Summit (WFS) (and to do so they waited for the moment of the transition between the former Director-General of FAO, Brazilian Graziano and the new, Chinese: in this interregnum they were able to manoeuvre for the WFFS to be held in New York and not in Rome, at FAO, as would have been logical, thus also reducing the possible Chinese influence; the aim of this WFFS, originally planned for next year, is to record a greater change in the multilateral system of the United Nations, privileging the relationship with the private sector (that of the WBCSD in fact) to the detriment of legitimate governments.

- The second axis of work concerns the reform of the Agricultural Research Centres (CGIAR) system so as to take control of it (with substantial and targeted subsidies). The key issue here is that the CGIAR controls the gene banks I was talking about earlier about the DSI... get the trick?

 

- Last but not least, taking control of Big Data through the creation of an International Council for Digital (to manage the huge mass of digital DNA and DSI data).

 

In summary:

The Summit provides the framework,

CGIAR the delivery system and the

BIG DATA the final product.

 

A concrete application concerns the fight against malaria, carried out by the Bill and Melina Gates Foundation that would like at all costs to find a pharmaceutical solution to the problem. Too bad that there is probably one, natural, and that this is the grain of sand that Big Pharma (with its ramifications up to the United Nations) wants to eliminate so as not to block its designs.

 

For 2000 years a plant, Artemisia annua, has been cultivated in China, which has proved to have extremely positive effects in the fight against malaria. Widely used by the Vietcong during the Vietnam War, it started to be cultivated in Africa, together with its local variety, Artemisia afra, an endemic, indigenous plant known by the indigenous peoples. All this did not please the pharmaceutical giants who for decades have decided that the fight against malaria should be done through synthetic products from their laboratories. 

 

Bill Gates with his intention to find a vaccine within a generation. Synthetic products were searched for in Artemisia annua, isolating one component, then patented. A series of specific treatments, called ACT, the tests made using the Artemisia plant, both the annual and the afra, to make infusions, are giving much more positive results, without secondary effects and, above all, it can be directly produced by all farmers because they only need to keep a few plants close to home to make preventive infusion treatments.

 

At an international level, the pressure on the WHO has led the latter to declare that Artemisia is not recommended for the fight against malaria, thus confirming who really co-manages in this agency. 

 

Final considerations:

Vandana Shiva reminds us that the Israeli company Evogene has patented a computer program for reading the plant genome, signing an agreement with Monsanto granting it exclusive rights on a whole series of genes identified by them. A similar work on digital mapping of the genetic heritage of traditional seeds is being done by another companỳ, DivSeek and they are certainly not the only companies in this promising market. A parallel path, but aiming at the same goal, has been undertaken by Syngenta to sell access to sequenced genetic data of traditional seeds coming from international gene banks (whose control is one of the objectives of the new colonization). 

Slide

Passing through digital DNA means skipping everything about rights and benefit sharing, which will thus remain only in the hands of the pharmaceutical industry. This is why digital DNA control becomes the key to the future, both for those who want to fight biopiracy and for those who want to exploit even more the potentialities offered by recombinations and modifications (drugs but also GMOs). 

 

Now the Covid, and then what?

- outbreaks of the virus, the origin of which has been localized in various species of bats, are more frequent in areas of central and western Africa that have recently undergone deforestation processes. FAO, for its part, had already reported this link in 2006, with an article published in the magazine Unasylva 

- The risk of disease outbreaks is not only increased by the loss of habitats, but also by the way they are replaced. In order to meet a growing demand for meat, an area equivalent to that of the African continent has been deforested to raise animals for slaughter. Some of these are then illegally marketed or sold on live animal markets. There, species that would probably never have crossed paths in the wild are kept caged side by side and microbes can easily move from one to the other. This type of development, which has already produced the Sars Coronavirus in the early 2000s, could be at the origin of the current Covid-19.

 

Recalling Laudato Sì

Given the scale of change, it is no longer possible to find a specific, discrete answer for each part of the problem. It is essential to seek comprehensive solutions which consider the interactions within natural systems themselves and with social systems. We are faced not with two separate crises, one environmental and the other social, but rather with one complex crisis which is both social and environmental

 

As my friend Pepe Esquinas says:

”for someone who thinks s/he's too small to make an impact, maybe s/he's never slept with a mosquito in the room”