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venerdì 18 maggio 2018

A questão fundiária em Angola: tarefa do governo ou compromisso de todos?

A questão fundiária em Angola:
tarefa do governo ou compromisso de todos?(1)

Dr. Paolo Groppo, 
Serviço da Posse de Terra
Direcção do Desenvolvimento Rural da FAO
Responsável pela componente terra do programa FAO Governo da Angola

1. Evolução histórica: o espaço construído pelos actores e o espaço determinado pelo Estado

Antigamente, a representação dominante do espaço era una construção interna, realizada pelos actores em função das suas necessidades. Si os Romanos privilegiavam as noções  de limites (limes) e de superfície, outros actores, como no caso das sociedades pre-coloniais africanas, construíam o espaço em função de uma relação de complementaridade entre tipo de recurso natural e seus niveles de apropriação, entre direitos individuais e colectivos: o seja geralmente  o mesmo espaço podia ser representado em maneira distinta, dependendo da necessidade do actor, de seu nível de controle sobre os recursos naturais e de seu nível de inserção social. Os espaços não eram construídos em função de fragmentar e constituir fronteiras (divisões do espaço)(2). A estas visões, autoreferenciadas, faltava uma capacidade de abstracção que permitira validar estas informações e dar uma continuidade objectiva aos distintos pontos do espaço.

Com a chegada dos navegadores e geógrafos europeus a construção do espaço muda radicalmente devido a transposição da leitura do espaço a partir das estrelas (uma externalidade independente dos referencias terrestres). As consequências desta passagem foram por um lado a importância privilegiada do elemento externo na construção dos novos mapas “modernos” e, consequentemente a menor relevância dos elementos de construção interna (as visões dos actores) e a importância nova que assumia a tecnologia e o conhecimento na construção e representação do espaço: os detentores destas habilidades eram essencialmente representantes do Estado, que passa, de esta forma, a ser o detentor absoluto do direito de representar (e construir) o espaço. 

No caso das colónias portuguesas, a primeira lei estabelecendo de forma categórica a primazia do Estado sobre as terras data da metade do século passado, 1856, onde se opera uma distinção entre as terras baldias e as terras do Estado. As primeiras podem ser vendidas, as segundas não. Nesse período (entre os países coloniais) domina o principio exclusivista: são terras do Estado todas aquelas que não tem sido adquiridas (e representadas nos mapas, com seus limites) como previsto pelas leis do país colonial, ao momento de aprovar a lei.

2. O caminho lento do reconhecimento dos direitos costumeiros: a época colonial

No final do século passado começa se dar de forma mais sistemática uma elaboração de textos próprios aos territórios de ultramar, tanto nas colónias portuguesas como nas outras colónias na África.

E´  assim como nos primeiros anos 1900, ao lado das terras que já tinham entrado definitivamente no regimen de propriedade privada o de domínio publico, começa a aparecer uma terceira categoria, conhecida em português como os terrenos “vagos”. 

No contexto das colónias francesas, as terras “vagas” som aquelas terras dos indígenas (que também aparecem como categoria na lei portuguesa de 1901 para as terras de ultramar). A ideia sendo que estas terras, detidas pelas colectividades indígenas, no podem ser cedidas a particulares sim autorização previa dos oficiais do Estado(3).

Na pratica significa conceder um direito limitado, tanto no plano político como jurídico, as comunidades que aí vivem. Este articulo foi bastante contestado e finalmente na metade dos anos 30 o principio foi modificado, indicando que estas terras deveram ter sido inexploradas o sim ocupação durante pelo menos 10 anos. O que, de facto, deixa uma grande parte das terras, ocupadas, exploradas/geridas pelas comunidades e indivíduos, fora das categorias existentes.

O sentido pratico deste cambio foi de abrir a discussão (central na problemática fundiária angolana de hoje) sobre: (i) que tipo de reconhecimento para os detentores de direitos tradicionais sobre as terras, sejam indivíduos, colectivos o comunidades e (ii) que tipo de relacionamento possa existir entre formas tanto distintas de direito. 

O principio das terras para uso exclusivo das povoações indígenas (o que no significa que sejam terras reconhecida como pertencentes aos indígenas) aparece pela primeira vez nas colónias portuguesas a partir dos anos vinte. Nos anos seguintes não registram-se muitas modificações e somente no 1955, no pleno do período da descolonização e construção dos Estados independentes que aparece, na elaboração jurídica francesa a confirmação dos direitos tradicionais exercidos individualmente o colectivamente sobre as terras não apropriadas em função das regras do código civil o do regimen de imatriculação. Estos princípios no foram muito aplicados, sobre todo porque os novos governos independentes rejeitaram a ideia de limitar de qualquer forma os direitos fundiários dos futuros Estados. A esto aspecto temos que acrescentar as visões ideológicas dominantes na época que consideravam as comunidades “tradicionais” como uma herança do passado que necessitada ser ultrapassada para criar dinâmicas de desenvolvimento.

No caso de Angola, o final dos anos 50 e começo dos 60 representarão um momento de cambio importante, essencialmente devido as criticas das Nações Unidas em matéria de trabalho forçado utilizado nas colónias, e sobre a discriminação racial tal como expressada no Estatuto dos Indígenas. Também é de sinalar que é neste período que começa a luta de liberação nacional, feito que no es estrangeiro aos câmbios legislativos realizados por Portugal no que diz respeito ao tema terra.

E´ neste contexto que em 1961 elimina-se o Estatuto do Indígena e manifesta-se abertamente a preocupação entorno aos conflitos entre os colonos/fazendeiros portugueses e as povoações colonizadas, com a ideia de legitimar a ocupação das terras realizadas pelos colonos/fazendeiros, contando fomentar novas formas de agricultura moderna. A solução jurídica foi buscada dentro da experiência que Portugal tinha na sua própria historia, tipo as sesmarias. Como diz Guerra Moreira, se tratava de um conceito que havia sido largamente preparado pela experiência colonial e que radicada nos conceitos indefinidos tipo as terras baldias, as incultas, as terras não-exploradas, sendo o denominador comum a ideia de uma cosa não completamente apropriada por ninguém, inclusive o Estado, cosa disponível que pêro no era “res nullius”. O autor propõe uma interessante similitude entre este conceito e o poder eminente que os monarcas africanos e demais autoridades tradicionais detinham na época antes da colónia em relação aos terrenos considerados como parte integrante de seu território e sobre os quais incidia um poder de superintendência fundiária no uso comunitário e/o individual de estas terras em função dos hábitos e tradições locais.

São estos os mesmos  poderes que as autoridades tradicionais angolanas continuaram a exercer de facto durante a época colonial, mesmo quando, “de jure”, este poder estivera formalmente nas mãos do Estado colonial.

3. A posse da terra depois da independência

A saída dos portugueses ao momento da Independência, permitiu aos camponeses, pequenos produtores e comunidades de retomar a terra que havia sido apropriada pelo poder colonial. A aparente abundância de terra, o lento arranque de um processo de desenvolvimento rural, fizeram que no aparecesses maiores conflitos pela terra. Nestas condições, a ausência de uma apropriada legislação agraria não apareceu como algo muito importante na agenda do novo governo nos primeiros anos após a Independência(4). Mesmo a Constituição de 1975, quem define no articulo 11 todos os recursos naturais como propriedade do Estado, não dizia nada especifico sob a terra. De facto, a dicotomia cultural - jurídica introduzida a traves do sistema colonial, se mantinhas intacta ate o final da década dos anos 80.

As transformações económicas empreendidas a final daquela década e no começo dos anos 90, provocaram um cambio importante da situação geral, mesmo quando os dilemas de fundo (que tipo de direito tradicional e que relações entre direitos positivos e direitos tradicionais) no foram tocados. A privatização das companhias estatais criadas depois da independência levaram a uma confusa corrida pela terra, sobre todo nas áreas de maior estabilidade, perto dos centros urbanos e nas províncias menos afectadas pela guerra. Como diz Hodges(5), este fenómeno favoreceu a emergência de um grupo de famílias bem conectadas com a elite político-militar, a costa dos pequenos produtores quem estiveram ocupando e lavrando as terras daquelas fazendas, sem nenhum titulo, desde meado dos anos 80. 

Neste contexto se elabora a nova constituição (1992) que sanciona a passagem a  segunda republica, um Estado de direito, baseado na coexistência entre propriedade publica, privada e cooperativa, preservando os poderes do Estado, tanto na direcção da economia, como na confirmação da propriedade estatal da terra e demais recursos naturais. Pouco antes da aprovação da nova constituição foi aprovada a Lei  21 C-92 (testemunha da crescente importância que o tema começa a assumir) sobre a conceição de titularidade de uso e aproveitamento da terra, que passo a ser impropriamente chamada de "lei de terra".

Esta lei, sus limitações e potencialidades, tem que ser analisada dentro do contexto histórico daquele período. No pais e no governo a maioria dos actores políticos partia da consideração de dispor de uma grande disponibilidade de terra, subtilizada, com um subsolo muito rico. Para um governo de reconciliação nacional que procurava recursos para financiar o desenvolvimento era fundamental manter baixo seu controle estos recursos naturais. Também temos que reconhecer que existia pouca o nula experiência em matéria de elaboração jurídica própria, sim muitas comparações possíveis na sub-região o com outros países similares (por exemplo aqueles da comunidade lusofona) e, finalmente, que neste como em outros países da região, dominava uma visão centralizada da economia, onde a participação dos actores, das comunidades, todavia no era considerada nem pelo governo nem pela comunidade internacional como una  necessidade. 

O resultado foi una lei que obviamente tinha muitas debilidade, a partir da pouca clareza jurídica sobre o tipo de regimen que o Estado exerceria sobre a terra(6). Sendo o Estado o "proprietário originário" da terra (Lei constitucional de 1992) no se aclara si se trata de domínio publico, domínio privado o de domínio eminente. Tampouco se encontra uma solução aos terrenos vagos, cuia terminologia desaparece na nova lei para ser substituída pela do Fundo Nacional de terras.

Não vamos entrar aqui em uma discussão jurídica da lei, cuias limitações tem sido muito bem identificadas por vários autores (Tanner, 1996, Pacheco, 2001). Ademais que a refulgência da violência fiz que, uma vez mais, o assunto da terra, ao igual que muitos outros, passo a perder de prioridade. Como resultado, o regulamento aplicativo da lei, aprovado depois da lei, nunca foi conhecido, como tampouco foi conhecida a própria lei. Situação que se arrasta até hoje.

O outro aspecto que deve ser considerado refere-se a evolução histórica do papel dos lideres tradicionais relativamente a: acesso, uso, gestão, ordenamento e representação do espaço. O processo de de-legitimização que vinha desde a época colonial, continuo depois da independência, consequência de uma visão modernista e centralizadora onde o Estado e as novas técnicas eram os depositários das informações necessárias para “desenvolver” o pais. Esto era já evidente no que diz respeito a construção do espaço, a traves dos mapas “modernos”, pêro também no que se refere ao uso e gestão do espaço, onde as modernas técnicas agronómicas deviam permitir uma qualidade da informação muito melhor comparada com os conhecimentos que as autoridades “tradicionais” tinham sobre estos lugares.

A progressiva imposição de um marco legal, no que se refere a terra,  estrangeiro a historia agraria do continente africano, encontro seu limite na incompleta realização do Estado-Nação, construção institucional importada da experiência do mundo ocidental sim muita possibilidade de reflectir sobre sua necessidade e adaptação nas distintas e diversificadas realidades africanas. Estos novos Estados nunca conseguirão impor a sua instituições de forma completa, particularmente no campo. O resultado destas dos tendências (de-legitimização por um lado e incapacidade de substituição pelo outro lado) foi um aumento da incerteza no referente aos direitos fundiários que, em alguns casos, mascarou-se por outras preocupações mais urgentes (guerra, conflito interno).   

Em Angola, a década do 90 apresenta de forma alias mais evidente esta dicotomia: legalidade (entendida como conjunto de regras emitidas pelo Estado) versus uma legitimidade (entendida como aceitação social de umas regras) em perdida de velocidade. O choque entre estas dois "culturas" empeça a produzir-se a partir do momento quando a guerra baixa de intensidade, e entramos em una situação como a actual: alta violência pêro no guerra aberta. Nessas condições, a apropriação (e particularmente a regularização) dos recursos naturais, nas zonas estratégicas, passa a ser una preocupação mais evidente por parte dos actores com mais poder em função de uma expectativa de paz futura.

Pacheco tem razão quando diz "até unos deis anos atras, os conflitos conhecidos sobre a terra eram raros [e que] hoje a situação é bastante distinta" (Pacheco 2001:10). A razão, desde nosso ponto de vista, tem que ver com a nova situação que apareceu a medida que a intensidade do conflito ia reduzindo. Por um lado, graças as labores de muitas organizações não governamentais, nacionais e internacionais, a compreensão por parte dos actores locais (camponeses, fazendeiros, comunidades) de sus próprios direitos vá progressivamente melhorando. Por outro lado, o problema de atrair capitais externos para financiar o desenvolvimento agrário do país volta a ser uma prioridade para o governo. 

Finalmente, a reduzida capacidade institucional mostra de forma muito evidente que, aumentando o numero de conflitos pela terra no país (essencialmente do tipo: comunidades versus actores externos, em vários casos vinculados a elite dominante), não existe uma capacidade de dar resposta satisfatórias a estas interrogantes o que leva, no corto prazo, a um corto circuito institucional - financeiro que podemos resumir na forma seguinte: 

(i) por um lado os actores dominantes tem assegurado o controle físico de uma parte das terras mas interessantes (nas zonas rurais e periurbanas); sus necessidades passam progressivamente a ser a regularização e legalização destas situações, para poder ter acesso a financiamentos internacionais dirigidos a promover formas de agricultura mais modernas e produtivas que seriam dirigidas, en primis, em direcção dessas mesmas áreas, (por ser as melhores tanto desde o ponto de vista agronómico, como de localização frente aos mercados). (necessidade de abrir o dialogo)

(ii) pelo outro lado, a necessidade de assentar uma quantidade crescente de deslocados, os conflitos que surgem com as comunidades, o pouco conhecimento da lei por parte dos próprios funcionários na capital e nas províncias, a ausência de instituições capazes de garantir os direitos "legais" faz que a medida que se abre a discussão sobre o tema "terra" o nível de incerteza aumenta em lugar de se reduzir (devido a complexidade natural desse tema) o que levanta a interrogante, ao nível político, se seja prudente ir pela frente com este tema.  (oportunidade de fechar o dialogo)

4. A situação actual: inseguridade e conflitos

E´  bastante conhecido por parte de todos os actores interessados, que até pouco tempo atrás, meado de 1999, se pensava que ao nível do governo no havia interesse em reabrir a discussão sobre a questão fundiária. Os feitos tem demostrado o contrario e mesmo que reduzidos, uma serie de acções foram realizadas, envolvendo de forma participativa órgãos do Estado, organizações não governamentais, agencias internacionais e doadores.

Também é conhecido que não só esta aumentando a massa critica de acções sino que estão aparecendo uma serie de outros actores, de outras instituições, que manifestam um interesse evidente a entrar no debate (caso do grupo inter-ministerial lidado pelo Ministério das Obras públicas, preocupado com as terras urbanas).

Finalmente, nesse mesmo período, devido ao ressurgir da violência, se ha registrado um novo aumento dos deslocados internos, o que, uma vez mais, podaria aumentar as variáveis a ser consideradas dentro da equação fundiária.

A primeira conclusão que podemos tirar do que estamos observando neste período refere-se a necessidade de dar um direccionamento claro ao tema, de forma a não perder de vista os objectivos de fundo e quais sejam os actores a ser envolvidos. Ao não tomar um rumo bem definido, o risco que as pequenas e reduzidas acções actuais não conseguem pegar é muito alto, perdendo, de facto, uma boa oportunidade desde o ponto de vista histórico.

A segunda conclusão tem, uma vez definido o rumo da discussão, qual sejam as prioridades em termos de acção e de métodos de trabalho.

Por ultimo, precisamos entender os mecanismos necessários para empreender esta navegação e qual seriam os navegantes que deveriam participar nesta viagem.

4.1. A estrela polar da questão fundiária

Já temos definido anteriormente qual som as tendências históricas entorno deste tema. Delegitimização das autoridades tradicionais, incapacidade de substituição completa por parte das instituições estatais, com uma interrogante que se arrasta desde os anos 50: qual tipo de direito tradicional esta disposto a reconhecer o Estado as povoações indígenas e como fazer coexistir estas distintas formas jurídicas. 

Podaríamos acrescentar que si durante toda uma época, influenciados pelas teorias de Hardin sobre a tragédia dos comunais(7), a posição dominante foi a de reforçar o processo de deligitimizacao das autoridades costumeiras, vários autores(8) nos últimos anos tem reafirmado o papel central das comunidades locais em todas as acções que, globalmente, podaríamos chamar de “land management” (acesso, uso, gestão, ordenamento e representação territorial).

Experiências recentes, no Moçambique, estão confirmando a importância de reconhecer estos actores como parte central da nova definição do Estado. Ademais, estos actores hoje estão dispostos em assumir um papel mais relevante. Hoje não se trata somente de discutir sobre os direitos que o Estado estaria disposto a reconhecer, sino também dos direitos que eles revendicam, para passar a ser sujeitos activos e no passivos da sociedade angolana.

Simplificando um pouco a equação fundiária, podaríamos dizer que se trata de conjugar os problemas de:

 Acesso + regularização + uso/gestão

Cada uma destas variáveis tem uma serie de componentes e de actores com visões distintas pêro, com certeza, para cada um dele, seja actor governamental o não, trata-se de um continuum que não pode ser separado facilmente.

O problema do acesso aos recursos coloca o problema inicial da representação do espaço que os distintos actores tem. Assim que não se trata simplesmente de um acesso a terra, porque existem terras e terras, com outros recursos sobre e sob a terra, e para tempos diversos, com finalidades diversas dependendo do actor e de seu relacionamento a sociedade o grupo. Varias som as modalidades possíveis, via o Estado, o mercado, etc.; a escolha entre eles não são necessariamente alternativas e a solução deve ser, evidentemente, parte de um processo de discussão, aberta, envolvendo os actores interessados, devido a que não existem receitas boas em absoluto(9).

No caso angolano, os mecanismos normalmente utilizados sons: herança; oferta; empréstimo; promessas (na sua maioria orais); arranjos de partilhas; compras; invasão(10). Como os conjuntos familiares usam diferentes tipos de terrenos, é comum que exista uma combinação de mecanismos de acesso as terras em vez de um em particular. Isto é verdadeiro especialmente para aquelas famílias que não são considerados como genuínos “donos da terra”. O acesso as terras é negociada directamente com os donos da terra, e uma vez que a transferencia seja concordada as instituições de gestão da comunidade são informadas. Em principio todas as pessoas que pertencem a comunidade (incluindo os residentes estrangeiros), tem acesso aos terrenos de cultivos, florestas, terras para colheitas e caça.

Uma serie de arranjos directos e indirectos de posse de terra tem se observado, principalmente determinados por (i) tipo de terreno e (ii) tipo de relação com os donos de terra. Os terrenos residenciais, terreno de cultivo tanto lavras como nacas são consideradas como propriedade privada do conjunto familiar, pelo menos quando o chefe da família é considerado um “dono de terra”. Terras de pasto e as florestas conhecem um regime de posse na base comunal com a comunidade como seu “dono”, e com regras para seu uso. O mesmo acontece para os recursos hídricos como valas, rios e outros.

A questão da regularização(11) também envolve varias dimensões: (i) uma mais estritamente legal - a lei de terra - e que tipo de direitos devem ser reconhecidos, protegidos, para quem e para quanto tempo; (ii) uma dimensão cadastral (que representação física do espaço, quem deve fazer e deter os produtos destas representação, e para que fins); (iii) uma dimensão de registro dos direitos e (iv) uma dimensão judicial (que mecanismos e recursos humanos serão necessários para fazer conhecer, respeitar e implementar o conteúdo das leis anteriores).

Finalmente, a questão do uso/gestão levanta contemporaneamente: (i) o problema dos sistemas produtivos, (ii) a sostenibilidade ecológica e social e (iii) a dimensão institucional.

Como podemos ver, o direccionamento do debate futuro não poderá se limitar a uma preocupação de tipo jurídica com uma nova lei de terra. Ele deverá antes que tudo responder a pergunta antiga: que papel os actores tradicionais serão chamados a jogar no futuro do pais. A partir de este debate será possível empeçar a reflectir sobre como abordar este conjunto de variáveis da questão fundiária.

4.2. As prioridades temáticas

Dois cenários podem ser apresentados: um donde se reconhece o rol indispensável dos actores locais e outro onde o Estado pretende manter um papel único de ordenador do espaço.

No primeiro caso, a fraqueza destes actores comanda um trabalho urgente de fortalecimento delas, paralelamente com o fortalecimento dos actores do Estado encarregados do ordenamento do território e demais componentes da equação fundiária. 

Já foi demostrada a possibilidade de começar a actuar dentro do marco legal existente e assegurar direitos fundiários as comunidades com base na lei de 92(12). Sim embargo, a parte reforçar estas actividades, é  importante começar a realizar estudos sobre as dinâmicas territoriais, as visões, as construções dos espaços por parte das comunidades locais, reconhecendo a grande diversidade de situações existentes no pais. 

Também aparece como chave o ponto do reforço das comunidades, trabalho que deveria ser feito em prioridade por parte daquelas organizações que trabalham perto delas, ONGs particularmente. 

Si o objectivo é de chegar a definir o papel destes actores, e que a resposta seja positiva (primeiro cenário) é básico, ao nível central, elaborar uma plataforma de política fundiária que possa guiar os passos seguintes, desde a revisão da lei, a definição de que tipo de instituição terão que se encarregar de manter as informações (cadastro e registro predial, centralizados o descentralizados, separados o juntos, que papel jogarão as instituições tradicionais no mantimento e actualização das informações...) e o fortalecimento futuro dos órgãos judiciários para prepará-los nas suas funções futuras.

Também existe outro cenário, com o Estado e o governo que quer manter um papel central único no ordenamento do território, desde o ponto de vista jurídico, institucional e produtivo. Parece-me um cenário pouco provável, sim embargo possível. O desempenho histórico ate hoje tem criado bastante preocupações, relativamente tanto a capacidade de fazer funcionar a administração do Estado nas províncias como da incapacidade de entender o papel positivo que as comunidades locais podem exercer, junto com o Estado, no que diz respeito ao ordenamento do território.

4.3. Os mecanismos e os navegantes

Neste nível também é preciso trabalhar com cenários limites muitos distintos: por um lado aquele de tipo participativo, caracterizado pela complementaridade dos órgãos do Estado e da sociedade civil, frente a um outro cenário do Estado actuando como actor único.

Existe um ponto central que é comum aos dos cenários e tem que ver com a fraca articulação institucional existente entre os vários actores do governo, que pretendem mexer com o tema terra. Por isso a criação de um mecanismo de articulação dentro do governo para chegar a complementar os interesses das distintas áreas temática vis-à-vis dos recursos naturais. Sim uma plataforma política por parte do governo, entorno da questão fundiária (ver ponto anterior) a possibilidade de operacionalizar um dialogo com a sociedade civil parece-me bastante complicado.

A partir de aí, as visões podem divergir: no caso do primeiro cenário é fundamental que, perante do esforço de discussão interna por parte dos distintos actores do governo, um trabalho paralelo seja realizado por parte dos demais actores, particularmente aquelas organizações da sociedade civil que pretendem trabalhar junto com as comunidades. Sendo cada dia mais evidente a importância estratégica de assegurar segurança de posse para os distintos actores, as organizações da sociedade civil tem muitas coisas que fazer: terra não é somente uma tarefa do governo, terra é compromisso de todos(13). A elaboração de um marco referencial sobre  a questão fundiária, por parte dos actores locais é somente o primeiro passo. A continuação é necessário começar um trabalho de fortalecimento daquelas organizações para elas poder assumir, no futuro, aquelas tarefas complementarias da acção do Estado. 

A realidade da fraqueza institucional do Estado comanda a assunção de um papel mais responsável por parte daquelas outras organizações, em um espirito de cooperação, que pode ser abertamente critica, pêro de cooperação.

5. Conclusões

A complexidade da questão fundiária, como aparece deste rápido excursus histórico, é assim grande (no caso angolano como na maioria dos países africanos) que claramente não pode ser resolvida por parte de um actor somente, nomeadamente o Estado, sem a participação activa dos demais parceiros, comunidades, fazendeiros, organizações da sociedade civil, Igreja, doadores e comunidade financeira internacional.

Existem problemas que arrastam desde a época colonial que na verdade nunca foram realmente profundados na época da Independência, como é o caso da combinação dos direitos e instituições tradicionais e sua legitimidade frente a o Estado-nação. 

As condições estão dadas, a nosso parecer, para que se aproveita da abertura do governo e de seu pedido a comunidade internacional, para começar a estudar o tema nas suas vertentes temáticas e com mecanismos adequados para que a multiplicidade de temas e de actores, não produza um dialogo confuso e, por ende, pouco produtivo.

Temos analisados rapidamente as dimensões, os temas e os possíveis mecanismos para articular este dialogo, demonstrando, a través da actuação dos últimos dois anos, a factibilidade deste processo. Muitas coisas, sim duvida a maioria, ainda está a ser feita, pêro hoje existe uma possibilidade que, em um espirito de cooperação, critico, entre os actores nomeados precedentemente, permitiria de dar continuidade a um tema, a segurança da posse de terra que tem uma abrangência muito maior, que tem que ver com um processo de democratização das instituições e onde aqueles actores que ate hoje tiverem um espaço limitado para levantar seus direitos, sejam no futuro parte activa deste processo.

Para estas razões é fundamental dar continuidade ao processo, fortalecê-lo em recursos humanos e financeiros, fomentar fora de discussão, como já existem, de forma a que dentro de um ano(14), nos encontramos aqui com a possibilidade de ver este garoto caminhando com suas pernas solidas.

Muito obrigado.

Notas de rodapé: 

1. Palestra apresentada na reunião organizada pela Embaixada da Itália, no dia 20 de Julho de 2001, em Luanda. Trata-se de um borrador, que será finalizado nas próximas semanas. Os interessados poderão solicitar copia da versão final ao escritório da FAO-UCPE, no prédio do MINADER.
2. E. Le Roy, La reforme du droit de la terre dans certains pays d’ Afrique francophone, FAO, 1987 3. E. Le Roy, op. cit.
4. Comunicação pessoal do Dr. Norman, Director do Gabinete Jurídico do MINADER 
5. T. Hodges, Angola From Afro-Stalinism to Petro-Diamond Capitalism. FNI, IAI, James Currey, Indiana University Press, 2001
6. Guerra Moreira, borrador (2000); comunicação do Sr. Vice-governador da Província do Bengo, no seminário organizado pelo projecto GCPS/ANG/005/ITA na cidade de Caxito, Bengo, no dia 20 de Julho de 2001.
7. G. Hardin, The tragedy of the commons, 1969
8. J.-Ph. Platteau, Réforme agraire et ajustement structurel en Afrique subsaharienne : controverses et orientation, FAO, 1993 ;  Le Bris E.- Le Roy E. – Mathieu P. L´appropriation de la terre en Afrique noire. Manuel d´analyse, de décision et de gestion foncières, Karthala, paris, 1991; Bruce J.W. & Migot-Adholla, S.E. Searching for land tenure security in Africa, Kendall/Hunt Publishing Company, 1994 ; Le Roy E. – Karsenty A. e Bertrand A. La sécurisation foncière en Afrique : pour une gestion viable des ressources renouvelables, Karthala, Paris, 1996.
9. a este propósito ver a contribuição de Ph.  Lavigne Delville «Privatiser ou sécuriser »  em : Quelles politiques foncières pour l’Afrique rurale ? sob a direcção de Ph. Lavigne Delville. Karthala, Paris, 1998
10. P. De Wit, relatório de missão, OSRO/906/ITA, FAO-SDAA, Janeiro de 2001
11. Os direitos dos distintos actores sobre as terras, já som regularizado dentro da lei costumeira onde existem mecanismos para solucionar casos de conflito. O que se pretende com a “regularização” é a adequação das instituições costumeiras com as instituições formais do Estado (que passa a ser considerado como instancia superior de legitimidade). Quanto mais as novas instituições estarão longe da realidade, mal conhecidas, difícil de ser entendidas e implementadas, quanto menor será seu respeito e aceitação. No contrario, quanto mais estarão perto da realidade, serão conhecidas e globalmente aceita, quanto maior a possibilidade para servir de instrumentos úteis para o desenvolvimento.
12. A delimitação dos territórios das comunidades é um exercício multidisciplinario que pretende, de forma participativa, identificar os limites reconhecidos e aceitos do conjunto de terras do nível de agregação familiar que constituem a Unidade de gestão. Uma vez identificado o nível da “comunidade” , aquele nível de agregação tem um conjunto de terras para uso directamente produtivo, em parcelas individuais e/o colectivas, outros lotes em gestão, outros em pousio ou como lugares sagrados, o como reserva para as próximas gerações etc.  este conjunto tem limites bastante claros para as autoridades tradicionais: os limites chegam até onde começam as terras de outra “comunidade”. Para evitar futuros conflitos, uma vez identificados, com as autoridades tradicionais, os limites de seu território, é fundamental averiguar junto com os vizinhos, fazendeiros, outras comunidades, Estado, si aqueles limites som aceitos. Em caso positivo podemos proceder a delimitação e georeferençação dos pontos; em caso negativo é preciso resolver o problemas entre os actores que tenham problemas. A identificação do conjunto de terras de uma comunidade (Unidade de gestão), comanda a realização de um diagnóstico sistémico, rápido que permita de (i) identificar o nível de agregação, (ii) identificar as suas instituições de gestão e suas lideranças, (iii) identificar seus direitos de terra e (iv) identificar onde estes direitos existem. Um principio chave deste trabalho é a parceria de trabalho entre técnicos públicos (DPOR, assessores jurídicos, EDA) em conjunto com os intervenientes de base no processo de desenvolvimento (ONGs e outras organizações da sociedade civil). O asseguramento dos direitos de posse de terra através do processo de delimitação e registo das terras das comunidades deve ser benéfico para todas as famílias e não somente para as famílias mais influentes. Finalmente, o trabalho de campo é fundamental para identificar a legitimidade das instituições de gestão dos recursos naturais e de apoio as comunidades, nos olhos da maioria da população. E´ preciso notar como neste tipo de trabalho não é ausente a preocupação levantada por J. Marie (J. Marie  “Peut-on cartographier les droits sur l´espace et sur les ressources?” contribuição aparecida no texto de Ph. Lavigne Delville op.cit. - sobre a possibilidade de cartografar os direitos sob o espaço.
13. Evidentemente excluímos desse grupo aqueles agitadores profissionais, como é o caso do Núcleo da terra do padre Pio na Huila, cuja agenda é essencialmente fomentar desordenes e aumentar as possibilidades de conflitos, até armado, entre os parceiros de uma questão já bastante delicada.

14. Esta palestra da continuidade a uma primeira realizada pelo autor e organizada sempre pela Embaixada da Itália no Setembro do ano 2000, sobre o tema das experiências internacionais em matéria de reforma agraria e segurança de posse de terra. A esperança é que na próxima podamos olhar mais para futuro que para o passado (nota do autor).

Improving governance of collective lands in semi-arid pastoral systems in Southwest Angola


Improving governance of collective lands in semi-arid pastoral systems in Southwest Angola - Implementing the integrated territory/landscape management through the FAO Green Negotiated Territorial Development approach (GreeNTD)
David Tarrasón, Territorial Development and Ecosystem specialist
Damiano Luchetti, Programme Officer, FAO Natural Resources Management and Environment Department
Txaran Basterrechea, Chief Technical Advisor of RETESA Project  
Paolo Groppo, Territorial Development Officer 

Introduction
In the semiarid southwest Angola, the ecosystems’ capacity to provide valuable services is under great pressure due to changes in managing common natural resources (mostly pastures and water), as well as from the effects of climate change, causing land degradation. Indeed, the poor conditions of the land are associated with the loss of traditional practices of pasture management, including the lack of strong and functional customary institutions. In addition, the increase in human and animal population intensifies the pressure on communal pastures, thus provoking conflicts between farmers and herders.
The RETESA project (“Land rehabilitation and rangelands management in smallholders’ agro-pastoral production systems in southwestern Angola”) which is a project owned and implemented by the Ministry of Environment of the Government of Angola with technical and methodological assistance from The Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO) and financed by the Global Environmental Found (GEF) focuses on a large region that embraces the transhumance routes of the pastoralist populations moving livestock along rainfall patterns and pasture/grass availability, through the Provinces of Namibe (Virey, Bibala and Camucuio municipalities) and including part of the provinces of Huila (Quilengues municipality) and Benguela (Chongori municipality). It stretches over approximately 700 km and has a population of about 340 000 inhabitants of which 40 percent are classified as poor.
Herders leave their residence with their animals in the months of May-June and return in the months of October-November, when the raining season starts. The ownership of cattle is a social status symbol therefore these are not being sold on a regular basis. Demand for land is affected by conflict between peasants and commercial farmers, returning refugees reclaiming their land-use rights, low soil fertility, limited areas of agricultural/grassland areas with adequate rainfall. With a growing population placing pressure on these areas, commercial cattle ranchers encroaching upon traditional grazing lands closing cattle corridors, and a changing climate posing new threats, traditional cattle raisers need explore sustainable management strategies to sustain augmented cattle numbers, increasing degradation which negatively affect livelihoods. Furthermore, Finally, perceived expansion of the desert to normally marginally suitable agricultural production areas is resulting in less edible pasture, especially in the driest part of the area. 
The approach used
The project aims at strengthening capacities at different levels, from local to provincial, to prevent and reverse land degradation in the region, and cope with climate change. The objective is to contribute to the design and implementation of territorial development plans negotiated and agreed between the different actors for an integrated management of natural resources combining the peasant and pastoral sectors.
In line with the approaches used for Integrated Landscape Management, the project promoted a multi-stakeholder dialogue on resource management opportunities through a local adaptation of the GreeNTD territorial development approach, developed by FAO. GreeNTD is a multidisciplinary and multilayers approach combining a set of well-established participatory tools. The approach provides tools and concepts in the search for options for a Sustainable Land Management, from the recognition of the needs and looking at the visions of the stakeholders operating and interacting within a given territory. 
The project conceives the territory (used in this project as a sort of synonym to landscape) as the spatial dimension of the social system interactions, which are mediated by the broader social, economic, and political settings (i.e., actors and governance system) and the related ecosystems functions and services (i.e., resource system and resources units). 
A complex spatial and multi-scaled approach is needed in this project as the social dynamics of pastoralists and the groups who interact with them, are associated with the movement of livestock long the transhumance route, and use/ownership rights act at different spatial scales.  
Six territorial development plans covering different levels (from local to regional) and different purposes have been implemented. Four plans focus on enhancing management practices of smallholder agro-pastoralists (2 at local, 1 at communal, 1 at municipal level). One plan is oriented to the prevention / resolution of conflicts between peasants and herders, at communal level. The sixth plan covers the entire route of transhumance, and represents a future scenario, built connecting the five previous plans.
The management plans work at different scales and target rangeland rehabilitation through improved range and herd management practices for smallholder agro-pastoralists. Territorial development plans address different levels, from local to regional. A specific challenge will be to scale up the process to administrative level scales where decision-making and policies occur.
Methodology
Guided by the GreeNTD approach stakeholders have agreed on the design, negotiation and implementation of territorial development plans for an integrated and sustainable management of natural resources.
During 2015 and 2016 a Land Degradation Assessment in Dryland Areas (LADA) assessment was carried out in the project area and valuable information obtained to understand the ecosystems and their services. Maps elaborated during the LADA assessment also present climatological and NDVI information. 
The first step of the GreeNTD approach involves a holistic diagnosis of the territory, with the objective of facilitating the process of consensual decision making in solving questions related to the management of natural resources, in this case the pasture areas. The diagnosis is also key to promote rural development as it involves all the actors of the territory/landscape. Building a common vision for sustainable land management practices is an essential part of governing the landscape and of programming in the pursuit of equitable and sustainable territorial development. Negotiation plays thus a key role in increasing the legitimacy of the entire process.
The project supports the creation of robust governance mechanism along the entire participatory process of negotiation among stakeholders to manage territories, at different scales. To achieve this, three main challenges are to be addressed: 1) reinforce stakeholders’ participation; 2) explore and put in place innovative strategies to involve women in the process; 3) Reinforce the “space for discussions”, deliberations and consensus building.
The development plans (outlined above) pursue to improve governance of pastoral lands, through recovering traditional decision-making spaces, in that region of Angola the traditional “Jango Pastoril” negotiation space has been rehabilitated after long time of being neglected. The rehabilitation of the Jango Pastoril is instrumental to enabling stakeholders to explore adaptive strategies for sustainable land management practices and simultaneously improve local livelihoods through the enhanced flow of multiple ecosystem services.
Agreed plans and negotiation spaces should support the restoration of the multifunctionality of the area and its ecosystems. The main pillars of this multifunctionality are: i) the agro‐ecological, social and historical context of the territory, and the heterogeneity of stakeholders (herders, farmers, administration, traditional authorities, women, etc.) having different needs and expectations for agro-pastoral activities (economic returns, local product, ecosystem services, cultural and traditions, etc.); ii) local livelihoods (security, sustainability), and  iii) the complex bundle of access and usage of common rights for natural resources, including land and water. 
Key issues addressed  
- continued learning and adaptation,
The adaptation of field techniques and guidelines to local context facilitated the learning process and ownership of stakeholders. 
Field visits, participatory mapping and training activities proved key to increase confidence by local actors and offered the possibility to continue discussions thus improving the learning exercise.
During the training activities, the facilitator tried to involve all the participants in order to help them connect with their experience and acquire new knowledge in their daily practice. In addition, have been placed to reflect, analyse and understand governance from a gender perspective, to act and transform reality.
- common concern entry points;
Climate change has great implications for semiarid pastoral systems, so is exacerbating the inherent variability of its environment, brings extreme events such as droughts. Nomadic pastoralist has been historically adaptable, however, their capacity for adaptation have been decreasing and needs to be strengthened to better manage climate variability.
Improve pastures management is a strategic entry point. Overall, efforts have been made to improve the governance of pastoral systems. All stakeholders, ultimately, saw benefits deriving from a change in rangeland management practices, as an entry point of dialogue. 
- Main ecosystem and ES provided by them: 
Three main ecosystems dominate in the area: 
  • Desert, predominating in Virey Municipality, characterized by three ecological groups: i) arid areas with clusters of ground vegetation adapted to the lack of water and the movement of the sand; ii) dry open Savannah in a transitional zone between the desert and the Mopane woodland, with an increase of number of plants per surface, witnessed scarce shrubs and little ground cover; iii) the low lying areas and river vasins can also be considered as vegetative communities.  Main species are Faidherbia albida, Combretum and Ficus.
  • Mopane woodland, predominant in the Bibala and Camucuio Municipalities, dominated by Colophospermum mopane, and other species less abundant such Acacia nigrescens, Adansonia digitate, Combretum imberbe, Kirkia acuminate, Sclerocarya birrea, 
  • Miombo Woodland, in Municipalities of Quilengues and Chongori, dominated by trees of the subfamily Caesalpinioideae of the Leguminosae, mainly of the genera Brachystegia, Julbernardia and Isoberlinia. Common grasses include the genera Hyparrhenia, Andropogon, Loudetia and Digitaria (Frost 1996).
The main activities in the area include pastoralism and subsistence agriculture (maize and sorghum mainly, and to a lesser extent millet, manioc, and cowpea). Agriculture business in the area has relevance due to their intense use of marginal lands along the main rivers. Those exploitations are mainly based on tobacco, maize, sunflower, and also cotton at some location. The extensive shrub and grassland areas are dominated by transhumant livestock moving with rainfall patterns. Before the war, the area was characterized by an intensive (given the ecological conditions) livestock system with continual contact between humans and cattle through the interrelationship of cattle raising, milk utilization, and farming. The 2011 cattle head count was 135 154 in Benguela, 1 656 845 in Namibe, and 691 043 in Huila provinces (FAO Country stat, 2012). Nowadays livestock is managed through transhumance moving along rainfall patterns and pasture/grass availability. 
Ecosystem services from these ecosystems provide important contributions to the livelihoods: provisioning services used by rural households (mainly goods to communities as fruit, wild vegetables, mushrooms, insects or honey, medicinal plants, fuelwood, and building materials); supporting and regulating services include the cycling of nutrients, which is important to the region’s agriculture, carbon cycling, and the regulation of water and soil movements. These ecosystems support agriculture by keeping soil fertility and structure of surface soil to make it available for agriculture. Woodlands provide habitat for livestock production in pastoral regime. The pastoral activity, in fact, profits these ecosystems in an integrated manner based on the mobility of livestock; important cultural services include, traditional knowledge and cultural identity (e.g., maintenance of sacred sites with high cultural significance, and the dwelling places of powerful ancestral spirits, traditional sites where the communal decisions are taken, such “Tchila”, “Elau” or “Omuiti-ompela”, and the new Jango’, etc.). Finally, tourism could represent an important cultural service in the future and a contributor to local and national economy. 
- multiple stakeholders;
The approach aims to promote multi-stakeholder dialogue through the development of specific activities leading to increased stakeholder participation at all levels (livestock breeders, farmers, traditional authorities, local and municipal government, practitioners, etc.) and, with particular attention to involve women. This represents an excellent opportunity to promote changes in the structural and entrenched dynamics associated with livestock management. 
- negotiated and transparent change logic;
Dialogue is the crucial element in the search for viable options for sustainable management of resources (especially grazing areas), capable of responding to the needs and visions of the different actors who act and interact in a single territory. Reaching agreement on how to achieve the common goal then became the focus of the negotiation. In order to promote a fair and transparent negotiation, the active engagement of actors is critical, as is the development of a sense of ownership towards the entire process coupled with a sense of social legitimacy of the entire process. The more actors will feel as “owning” the process, the more they will actively participate thus developing a final product that will be socially legitimized by all participants, thus limiting the role of the external honest broker.
- clarification of rights and responsibilities;
The agreement is based on a set of criteria and clarifies the differentiated roles, duties and responsibilities of all parties that focus on contract outcomes (e.g., range management strategies) and agreed decisions (i.e., how to manage them) socially legitimized.
Steps followed for the landscape approach application
The process steps are developed in four main phases: 
Phase 1: Diagnosis of the current situation: 
Visualization of the territory taking into account the actors involved and the territory seen as a socio-ecological system. The focus is put on the interactions mediated by social, economic, and traditional configurations (i.e., actors and governance system), and related ecosystems (i.e., land and natural resources). 
First, the limits of the territory have been recognized by local stakeholders, demarcated by mountains, rivers, and even more traditional and cultural aspects, such as ritual spaces.
Second, an in-deep actors’ analysis to better understand the role they play that shapes the relations between them and the modalities of governance. Recognition of the role of women in access to natural resources, decision-making spaces and ownership of rights was also explored.
Third, participatory mapping of land use, to explore the local natural resources, especially pasture and water points. The maps are key to discuss about adaptive strategies in the next phase.
Fourth, governance analyses to describe the characteristics and relationships between the main actors / institutions, and explore power asymmetries in relation to access / use of natural resources. It was explored the Importance of the attributions of the three dimensions of governance in relation to the management of natural resources, in particular pasture lands: representativeness, distribution of authority and accountability mechanisms. 
Phase 2: Horizons: dialogue and proposals.
This phase focuses on creating spaces for dialogue between stakeholders at different levels, to discuss about management options, on the basis of concrete, coherent and feasible proposals. The strengthening of the pastoral Jangos is key to maintaining in time the process of decision-making and collaboration between the actors involved and to stimulate participation in the dialogue of the issues that affect the sustainable management of the pastures. 
Phase 3: The negotiation process. 
This phase aims of reaching consensus among actors for the sustainable management of resources. The issues discussed in the previous phase allowed to arrive at a consensual proposal for the creation of pasture reserve areas, with the final objective to reach an agreement on the socially legitimized management options and, propose initial actions to implement it.  
Phase 4: The sustainability of agreements.
The last phase, has the decisive aim to contribute to concretize, and formalize (if possible) of the resolutions agreed through dialogue and negotiation among all parties.
Key messages and lessons learned
The Project aims at improving land and resource management in a vast area where different territories are interconnected, through the transhumance tracks. So we need to have a vision of the territory and link it with actors, so that territory represents the spatial dimension of the social system interactions that is related to a set of ecological conditions. Indeed, social and the ecological levels interact and different goals need to be achieved by the different stakeholders, e.g., pastoralists, peasants, private, etc.  
The experience in Angola demonstrates the value of the GreeNTD framework to face these challenges, with the aim of adopting an integrated approach involving multiple-stakeholders and multi-scale dimensions. Creating a climate of confidence and building credibility and trust amongst the parties throughout the process is as important as the results themselves.
4. Short conclusions and next step     
Building the capacity of communities in negotiation processes to enhance governance of common property resources is a big challenge. This is a complex activity that may produce key and long-lasting project results if appropriation is achieved at local and upper levels. Create robust governance mechanism is crucial along the entire participatory process of negotiation among stakeholders to manage territories (at different scales). 

These tasks require a multidisciplinary perspective and a creative team with technical capabilities to tackle the complexity. 

martedì 15 maggio 2018

Governance: what FAO really means by that?



FAO has put governance at the core of its interventions: “Governance is more than ever a driving concern in FAO’s work and is critical to achieving FAO’s Strategic Objectives.” 

However, as some experts have highlighted, “contrary to popular belief, there is little evidence that success in implementing governance reforms leads to more rapid and inclusive economic and social development. In fact, it may be the other way around” (emphasis added) https://www.project-syndicate.org/commentary/governance-reform-development-agenda-by-jomo-kwame-sundaram-and-michael-t--clark-2015-06?barrier=accesspaylog

The following quotes are taken from official FAO documents published by different technical units/departments of the Organization, in the last decade.

1. The term “governance” is used extensively and in many contexts, but is difficult to capture in a simple definition. In a natural resource context, governance is used to refer to the body of formal and informal policies, and the arrangements developed between relevant stakeholders, to manage and to make decisions about a particular resource.

2. Governance is the exercise of political, economic and administrative authority in the management of a country’s affairs at all levels. Governance is a neutral concept comprising the complex mechanisms, processes and institutions through which citizens and groups articulate their interests, exercise their legal rights and obligations, and mediate their differences.http://www.fao.org/3/a-ak999e.pdf

3. While there is not a universally accepted definition of “good/democratic governance”, there is a relatively broad agreement on a number of its key components:  
4. Governance at all levels is defined by the processes through which public and private actors articulate their interests; frame and prioritize issues; and make, implement, monitor, and enforce decisions.http://www.fao.org/policy-support/governance/en/

5. Governance in this context refers to the set of laws, regulations and administrative practices that facilitate or inhibit the provision of public goods and services pertaining to agribusiness investment and agro-industrial development. (http://www.fao.org/3/a-i6862e.pdf)
These quotes refer only to the “governance” discussion, without entering into the more ideological one of the “good” governance. Again, as experts have written, “With good-governance reforms now a condition for international aid, developing-country governments often end up mimicking donor expectations, instead of addressing the issues that are most pressing for their own citizens.”
Anyway, narrowing our post to the different “governance” concepts promoted by different FAO units, it is interesting to note the tendency by several of them to forgot the informal players and, even more important, power dynamics and how power is exercised. Only one of them is clearly mentioning it, whilst others (from more neoliberal groups with FAO) tend to frame a narrow technical concept, minimizing the variety of stakeholders to be involved in these processes, the existence of informal rules and avoiding any discussion on the forbidden question of power dynamics.

This post is particularly directed to my former colleagues struggling with “governance” and “territorial” issues in their daily life. I do want to encourage them to push more in order to finally opening up these critical and structural dimensions too often forgotten.